“Quase Normal”, um musical como nenhum outro!

03-OLAVO CAVALHEIRO - VANESSA GERBELLI CERONI E CRISTIANO GUALDA- FOTO GUSTAVO BAKR

Tudo começou há mais de dez anos, quando foi realizado um pequeno workshop de um musical chamado Felling Eletric, sobre o tratamento de eletrochoque realizado por uma mãe e seu efeito colateral em sua família, em que o escritor Brian Yorkey convidou Tom Kitt para compor algumas canções para esta trama de apenas 10 minutos. Apesar da premissa original e uma trilha “rock musical”, Yorkey e Kitt se envolveram em outros projetos e a história foi deixada de lado por alguns anos, porém nunca esquecida.

Next to Normal<br /> music by Tom Kitt<br /> book & lyrics by Brian Yorkey<br /> directed by Michael Greif<br /> November 21, 2008 through January 18, 2009<br /> in Crystal CityFinalmente em 2008, o enredo não apenas ganhou forma e suas músicas foram finalizadas como seus personagens ganharam vida através de grandes nomes do teatro como Alice Ripley e revelações como os atores Aaron Tveit, Jennifer Damiano e Adam Chanler-Berat. Com uma temporada de sucesso no circuito Off-Broadway, a produção seguiu para Virginia, onde fez algumas apresentações e se preparou para os grandes holofotes da Broadway. Foi então no Booth Theatre que a peça fez história, foi adorada por público e crítica, recebeu onze indicações ao Tony Awards, ganhando em três categorias, e conquistou um prêmio raro entre produções musicais: o Pulitzer de Melhor Drama.

Seu texto honesto e direto, sua trilha sonora pesada e tocante e suas interpretações arrebatadoras fizeram com que Next to Normal fosse considerada uma peça à vanguarda, trazendo realidade e emoção em meio a produções plásticas e repetitivas. Desde seu fechamento em Nova York em 2010, a produção já percorreu o mundo todo, passando por Noruega, Coreia do Sul, Peru, Dinamarca, Israel, Holanda, entre outros. No Brasil, a versão nomeada Quase Normal estreou em julho do ano passado no Rio de Janeiro, com direção de Tadeu Aguiar e um elenco composto por  Vanessa Gerbelli, Cristiano Gualda, Olavo Cavalheiro, Carol Futuro, Victor Maia e André Dias.

02-CRISTIANO GUALDA E VANESSA GERBELLI CERONI1- FOTO GUSTAVO BAKRFinalmente estreando em São Paulo no próximo dia 21, no Teatro FAAP, sua chegada a cidade foi muito esperada e não apenas por fãs do gênero, amantes do teatro e pela crítica, mas também pelo elenco e produção, que admite uma grande expectativa pelo fato de a capital paulista ser a cara da peça. Se conturbada, complexa, divertida e emocionante são definições que podem ser dadas para São Paulo, de fato, Quase Normal chegou em casa, e é muito bem-vinda!

Diana é a matriarca que cuida da casa e dos filhos, mas não consegue controlar sua doença, que leva a desestabilização de toda a família. Dan é o pai que tenta manter tudo em seu lugar, sustentar sua família e busca urgentemente pelo “normal”. Gabe é o filho perfeito, exemplar, estudioso e divertido, enquanto Natalie sofre para se destacar e conseguir a atenção dos pais. Em meio a tantos problemas, o texto de Quase Normal poderia ser exagerado e até depressivo, mas utiliza do bom-humor, não para transformar tudo em comédia, mas para criar uma dinâmica equilibrada que atrai o espectador.

01-CAROL FUTURO E VICTOR MAIA - FOTO GUSTAVO BAKRNo quesito humor, aliás, o destaque vai para o ator Victor Maia, intérprete de Henry, interesse amoroso de Natalie. Com ele, Victor tem a missão de inserir piadinhas e trejeitos cômicos no meio das tensões emocionais passadas pelos outros personagens e entregues ao público, e ator atinge seu objetivo com louvor. Já Carol Futuro é a maior revelação da peça e se equipara a interpretação de Jennifer Damiano, quem originou o papel, mostrando um talento digno da Broadway. Vanessa Gerbelli se entrega totalmente ao papel e possui com Cristiano Gualda a química essencial para o casal Diana e Dan.

Como a trama do musical é condizente com públicos de todas as origens, a versão brasileira pôde se ater ao original americano, mantendo grande parte do texto original, da concepção do cenário e iluminação e até mesmo algumas marcações de palco. O que precisou ser mudado, não teve jeito, foram as letras das músicas. Não à toa, é nas traduções que fica um dos maiores temores para os fãs do gênero quando uma produção da Broadway é feita no Brasil. Afinal, modificar as letras que conhecemos e estamos acostumados a escutar não é fácil. Além de seguir com a melodia e o importante significado de cada palavra, ainda é preciso enfrentar uma plateia que pode ser bastante rígida. Responsável por este departamento, o diretor Tadeu Aguiar não deixa a desejar. As músicas de Quase Normal atingem o espectador como devem atingir, as letras por vezes desesperadas, por vezes irônicas, casam perfeitamente com a melodia carregada de rock ‘n’ roll e refletem cada parte de seus personagens.

Diana e sua família estão prontos para arrebatar o público paulistano, surpreender quem pensa que musicais são obrigatoriamente compostos por números de dança e provar que este gênero tem espaço para produções de todos os tamanhos, canções de todos os estilos e personagens de todos os tipos.

SERVIÇO:

Onde? Teatro FAAP (500 lugares)
Rua Alagoas, 903 – Higienópolis
Quando? Quinta e Sexta às 21h | Sábado às 18h e 21h30 | Domingo às 18h
Até 12 de maio
Quanto? Quinta e Sexta R$ 80, Sábado e Domingo R$ 100
Duração: 120 minutos, com intervalo de 15 minutos.
Recomendação: 14 anos
Informações e Vendas: 3662.7233 e 3662.7234.

4 comentários

  1. você falou de todos os atores menos do Olavo, ele está péssimo em cena é isso?
    vou assistir essa no dia 9.

    1. O Olavo é uma das peças chaves do espetáculo, e está dando um show em cena. Só elogios!
      A Fernanda Montenegro e o Tony Ramos que o diga. :)

  2. […] musical Alô, Dolly!, versão brasileira da clássica peça da Broadway Hello, Dolly!. Assim como Quase Normal e O Mágico de Oz, o musical vem diretamente de uma temporada no Rio de Janeiro para tentar […]

  3. […] musical Alô, Dolly!, versão brasileira da clássica peça da Broadway Hello, Dolly!. Assim como Quase Normal e O Mágico de Oz, o musical vem diretamente de uma temporada no Rio de Janeiro para tentar […]

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