Crítica: “Indomável Sonhadora”

Texto escrito originalmente para o site CineSplendor.

beasts

“Indomável Sonhadora” está entre os nove indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano, mas o longa se destaca mesmo pela atriz Quevenzhané Wallis, que tinha apenas cinco anos de idade quando o filme foi gravado e é a garota mais nova a concorrer ao prêmio de Melhor Atriz. Intérprete da protagonista Hushpuppy, mesmo com seu nome difícil de pronunciar, sua atuação tem feito com que ela não saia da boca de críticos de cinema do mundo inteiro.

Film Review Beasts of the Southern WildA história de “Indomável Sonhadora” é baseada na peça teatral da autora Lucy Alibar, quem assina o roteiro juntamente com o diretor estreante Benh Zeitlin, que também concorre ao prêmio da academia. A trama se passa em um lugar chamado Banheira, uma espécie de ilha afastada da cidade de Nova Orleans, onde sua pequena população prefere não manter contato com os recursos ou a sociedade da metrópole. Convivendo e interagindo diretamente com a fauna e flora locais, a comunidade vive em recesso, porém, em harmonia. Hushpuppy mora em um barraco juntamente com seu pai, que escolhe por se comportar da maneira mais primitiva possível, tirando onda com quem vive na cidade e mostrando para a filha o orgulho que eles devem ter pela maneira como vivem.

A pequena Hushpuppy precisa aprender a viver com a ausência da mãe, que abandonou sua família, e se entender com seu pai, com quem possui um relacionamento dos mais incomuns. Vivendo nessa forma primitiva, não há entre eles os símbolos usuais de carinho e afeição e, assim como na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, muito pouco é expressado por palavras. A narração feita pela própria Hushpuppy, porém, ao contrário disto, é repleta de beleza e inteligência, responsável por carregar conteúdo de reflexão para o espectador.

(Quvenzhané Wallis), (Amber Henry), (Jonshel Alexander), (Kaliana Brower)Apesar do título bonitinho e romântico, o seu original “Beasts of the Southern Wild” dá muito mais sentido à trama e retrata o grande sentido do filme: a luta pela sobrevivência neste cenário hostil onde a força da natureza é impassível e incontrolável. Os “beasts” são as feras que se põe diante de Hushpuppy, desde uma tempestade devastadora até a magoa pela partida da mãe e o medo de não sobreviver sem seu pai. Tão concretos e firmes quanto essas feras precisam ser os moradores de Banheira e é esta a lição que acompanhamos essa corajosa garotinha aprender ao longo do filme.

A trilha sonora genial que acompanha esta história relembra a de “Onde Vivem os Mostros”, em que Max assim como Hushpuppy, precisa fugir e se aventurar por outros mundos para que possa conhecer a si mesma e compreender o ambiente ao seu redor. Música e imagem dão ainda mais forças para seus personagens e levam o espectador junto com eles em sua jornada empolgante, inocente e profundamente tocante.

2 comentários

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