Crítica: “Anna Karenina”

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O diretor Joe Wright ficou conhecido por sua adaptação cinematográfica do clássico de Jane Austen, Orgulho e Preconceito, lançado em 2005. Em seguida, realizou Desejo e Reparação, pelo qual recebeu sete indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Filme. Após fazer os contemporâneos O Solista e Hanna, ele retorna às histórias de amores proibidos com Anna Karenina, baseado na obra literária russa escrita por Tolstói, que é contada pela quinta vez nos cinemas, sendo sua primeira adaptação protagonizada por Greta Garbo em 1935.

5663_D019_00367Durante uma viagem de trem para visitar seu irmão, Anna Karenina conhece a mãe do Conde Vronski e em seguida seu filho, por quem sua amiga Kitty está interessada. Assim como Anna, ele se sente atraído imediatamente e após o encontro, o rapaz não consegue ter olhos para mais ninguém. Não demora para que, apesar de sua própria resistência, ela passe por cima do amor que tem por seu marido e por seu filho e se arrisque a viver uma avassaladora paixão ao lado de Vronski, escolha que pode lhe custar sua reputação, suas amizades e sua família.

Apesar de ser estrelado por Keira Knightley, Aaron Taylor-Johnson e Jude Law e ter sido indicado ao Oscar de melhor fotografia, trilha sonora, figurino e design de produção, o destaque de Anna Karenina vai mesmo para Joe Wright. O diretor já era conhecido por usar sua criatividade e visão artística para realizar planos de câmera diferentes e construir grandes visuais em seus filmes, mas dessa vez ele inova ainda mais ao utilizar os famosos teatros e companhias de balé russos como inspiração.

5663_D032_00350Desde Orgulho e Preconceito, o diretor mostra que gosta de brincar principalmente com planos sequencia e fazer jogos de cores com figurinos e cenários, dando a impressão de formar quadros vivos na tela de cinema. Agora, ele atinge todo seu potencial e de maneira divertida já inicia o filme com uma trilha sonora agitada e compassos que criam quase que uma coreografia, que é realizada por seus personagens. Nesta brincadeira, ele transforma um escritório em um restaurante e seus funcionários em garçons em um tipo de sequencia que forma uma dança bastante divertida de se ver, mas certamente difícil de se realizar. Esse tipo de licença poética para transformação de cenários e personagens se repete durante o filme, como quando as pessoas entram e saem de suas locações através dos bastidores de um palco ou quando a própria locação é uma sala de teatro, não importa se a cena se passa em uma festa, uma corrida de cavalos ou até mesmo em uma pista de patinação no gelo.

No elenco, não apenas Keira volta como protagonista de um de seus filmes, como o diretor trabalha novamente também com Matthew Macfadyen e Emily Watson, que estiveram com ele em Orgulho e Preconceito. Já Jude Law dessa vez não usa todo seu charme para seduzir, mas sim para mostrar um outro lado de Karenin, que apesar de sério, é também um marido compreensivo. Alicia Vikander acaba de estrelar como protagonista no drama dinamarquês O Amante da Rainha e agora interpreta a doce e insegura Kitty, que perde seu pretendente para Anna, mas recebe o amor de Konstantin Levin, papel de Domhnall Gleeson, ator que já foi um Weasley na saga Harry Potter, conseguiu pequenos personagens em Bravura Indômita e Não Me Abandone Jamais e agora entrega um russo mais centrado e sensível entre os de seu meio.

5663_D036_00376Conhecido a partir de seu papel como o adolescente que quer ser um super-herói em Kick-Ass, Aaron Taylor-Johnson surpreende a cada escolha de papel, ultimamente optando  por personagens mais sérios e tramas mais intensas. Após ter estreado Albert Nobbs e Selvagens no ano passado, Aaron explora um cenário completamente diferente como Conde Vronski e apesar de não ser um personagem que demande uma entrega emocional extraordinária, ele sobe outro degrau importante em sua carreira.

Entre o clássico triângulo amoroso, o típico baile em que os amantes se encontram e um drama literário, se sobressai a estética refinada de Joe Wright. A inovação vai além de sua localização na gélida Rússia e se concentra no estonteante visual combinado pela direção de arte e fotografia. O ar mágico, surrealista e divertido criado por Wright dá um tom original àquela história de paixão proibida, traição e consequência de dramas de época que já vimos tantas vezes.

Trailer:

5 comentários

  1. Adorei o filme, me prendeu do começo ao fim…

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