Especial “Os Miseráveis”: Trilhas Sonoras

Nestes 28 anos de Os Miseráveis diversos álbuns e especiais foram gravados com diferentes versões e cantores, incluindo até mesmo canções praticamente desconhecidas mesmo para os fãs de musicais. Infelizmente não houve nenhuma gravação na versão em português, mas há no total mais de 70 gravações oficiais do musical, sendo duas delas em espanhol (elenco argentino e espanhol) e a primeira tradução do musical após a versão original, feita em hebraico em 1987 (uma das minhas gravações prediletas).

Hoje falaremos sobre os álbuns considerados mais importantes, fazendo uma breve review de cada um:

French Concept Album – 1985

A primeira gravação do musical chamada de “Concept Album” foi lançada poucos meses antes da estreia da peça e orquestrada por John Cameron, que permaneceu no creative team no decorrer das produções. A gravação foi estrelada por Maurice Barrier como Jean Valjean, Jacques Mercier como Javert e Rose Laurens como Fantine.

Apesar de super simples, antiga e até mesmo rústica, esta é a versão realmente original e a que está mais próxima à dos compositores Claude-Michel Schonberg e Alain Boublil. Certamente o elenco que realizou a gravação trabalhou muito perto tanto com Alain quanto com Claude-Michel para que pudessem trazer em sua interpretação aquilo que eles idealizaram.

UMD73097__83366_stdOriginal London Cast (OLC) – 1986

O OLC foi a primeira versão em inglês do musical. É uma das minhas favoritas porque nela ainda vemos muitos elementos do original francês, mas já percebemos como ele estava se tornando algo ainda mais grandioso.

Quem estudou estas gravações consegue perceber que o OLC é a produção mais próxima do Concept Album. A música “Little People” neste é cantada após “Look Down Paris”, em uma versão longa que apresentava a forma como Gavroche pensava sobre si mesmo e, de certa forma, justifica a morte do personagem. Neste, a breve frase musical se repete no momento em que ele aponta Javert como um impostor para os estudantes, assim como em sua última cena. “I Saw Him Once”, também presente apenas deste álbum, é uma linda melodia cantada por Cosette como introdução a “In My Life” e “A Heart Full of Love”. Talvez a música não fosse necessária para contar a história, mas é certamente lindíssima.

Original Broadway Cast (OBC) – 1987

Já um pouco mais “limpo” e resumido que o OLC, o OBC organizou melhor as falas dos personagens. Em “Look Down”, por exemplo, o diálogo de “Where are the leaders of the land?” que inicialmente pertencia a dois estudantes, agora passa a ser de Marius e Enjolras. “Stars” passa a ser diretamente após “Look Down” e “In My Life” e ganha uma introdução: “How strange this feeling that my life’s begun at last…”, trazendo um pouco mais de personalidade para Cosette. Estas mudanças, entre outras, permanecem até hoje na peça e por anos foi a versão do OBC a mais próxima do que é cantado no palco.

100845337_customer-image-gallery-for-les-miserables-complete-Complete Symphonic Recording (CSR) – 1989

O musical era tão longo ao vivo que depois de dois anos e algumas produções internacionais, os produtores resolveram fazer uma gravação completa da peça. Com foco no mercado internacional, foram contratados atores de todos os espetáculos realizados até então. A gravação foi feita em três diferentes cidades e o score foi gravado com uma orquestra ainda maior, aumentando assim o efeito dos compassos de abertura do musical.

O elenco do CSR é composto por Gary Morris, um dos primeiros americanos a fazer o papel de Valjean, Michael Ball (Marius do elenco original de Londres), Philip Quast como Javert, Debra Byrne (Fantine), Anthony Warlow (Enjorlas da Austrália) e Kaho Shimada (Eponine do Japão).

 

Tenth Anniversary Concert (TAC) – 1995

O TAC é sem dúvida a minha gravação favorita, começando pelo o elenco. O Dream Cast não poderia ter sido melhor selecionado, todos no top of the game de suas carreiras. Mesmo não tendo muitos dos diálogos e cenas menores, o álbum consegue contar a história de uma forma incomparável. Outro ponto que torna o TAC maravilhoso é a presença de todos os elencos de Londres participando do coro, além da orquestra gigantesca (como no CSR), que deixou a música originalmente já grandiosa, ainda maior e mais poderosa.

O TAC marcou provavelmente a última gravação que seguiu a partitura original da peça e com cantores clássicos. Com o passar dos anos, os Valjeans foram ficando mais “rockers” e menos clássicos e as Eponines começaram a mudar as notas finais de “On My Own”. Lea Salonga foi a última cantora a gravar o “all my life I’ve always been pretending” do jeito que realmente foi escrito e, assim, as gravações mais modernas foram se alterando.

 

461_40025th Anniversary Tour Recording

É quase tão diverso quanto o 25th Concert. Apesar de um Valjean (James Owen Jones) e um Javert (Earl Carpenter) extremamente clássicos e uma Fantine típica (Madalena Alberto), esta Eponine destoava completamente. Rosalind James é tão moderna que fez um riff em pleno “On My Own”, e quem conhece o musical sabe que isso fere tanto a obra quanto quando Katie Holmes cantou a música no seriado Dawson’s Creek.

Esta gravação tem coisas excelentes, tradicionais da peça e ao mesmo tempo coisas bem estranhas. O lado extremamente positivo é que foi gravado ao vivo durante o show, então a interpretação é bastante intensa. Além disso, há muitas cenas e falas, como em “Robbery”, o que geralmente não acontece em gravações. Por outro lado, a orquestra é pequena e o efeito chocante dos primeiros compassos do musical é bastante prejudicado.

 

CoverMovie Sountrack

Como todo mundo já deve saber, a sountrack do filme foi gravada ao vivo. Com isso, musicalmente tudo ficou dependente das escolhas dos atores e posteriormente a do diretor. Mesmo que este método possa funcionar muito bem para a câmera, nem sempre faz um álbum atraente, uma vez que a prioridade está mais na atuação do que na interpretação vocal.

No caso deste álbum a primeira coisa a ser percebida é a mudança de tempo musical. Tudo, absolutamente tudo, ficou mais lento. Um bom exemplo é comparar o “At the End of the Day” de qualquer álbum anterior com o do filme. Devido a forma que o filme foi feito, as interpretações vocais foram menores e praticamente não se ouviu o belting tão tradicional do musical, e por isso os grande momentos dramáticos musicais acabaram sendo significantemente prejudicados. As canções que mais sofreram com a falta de intensidade vocal são “Who am I”, “One day More” e “On my Own”.

Sem falar em “Valjean’s Soliloquy” e “Javert’s Suicide”, que ficaram completamente diferentes uma da outra. Estas músicas foram escritas na mesma melodia com intuito de mostrar, musicalmente, a semelhança entre os dois personagens, o que na peça sempre fica muito claro, mas não teve o mesmo efeito no filme.

Para um filme, a trilha sonora está lindíssima e os arranjos muito bem feitos, mas eu esperava um pouco mais de suporte ao que os atores estavam falando. Além disso, as vozes menos “treinadas” do que as que estamos acostumados a ouvir nas produções teatrais acabam ficando perceptíveis quando escutamos a trilha sonora. Dá a sensação que as músicas poderiam ser mais fortes em alguns momentos, mas ao mesmo tempo, poderia ficar cansativo um filme de quase três horas com uma orquestra massiva.

Uma observação a mais, que precisa ser comentada é o fato de Samantha Barks ter cantado “On My Own” em sua versão original, com o “Pretending” que havia sido usado pela última vez por Lea Salonga na gravaçãi do TAC. Um pequeno presente para os fãs do musical!

3 comentários

  1. Talvany Carlotto · · Responder

    A minha versão favorita é a CSR. Além de ter todas as músicas, tem o Michael Ball detonando como sempre!

    “I saw him once” é tão linda mesmo! No fundo eu tinha esperanças de ver ela no filme, mas eles tinham que cortar qualquer coisa que não era fundamental…

    E, por favor, vamos esquecer que um dia existiu uma Joey cantando “Own my own” pro Dawson… huaeuhaeuh

    Parabéns pelo texto, Miriam! Não gosto quando leio textos de gente que nem pesquisou direito o material que tá escrevendo. Tuas informações são confiáveis e têm aquele toque pessoal que só alguém que realmente ama “Les Mis” sabe dar ;D

  2. Talvany! Obrigada!!!! São anos e anos de pesquisa e admiração pelo musical! <3 Fico feliz que tu estás gostando dos posts!!! Beijos!

  3. Mimi!! Amei o artigo! Sabe que compartilhamos opiniões, né!? E o “pretending” da Samantha Barks foi, realmente, um presentinho lindo no meio daquela catástrofe musical toda que vinha acontecendo nas duas horas anteriores. E ainda acho que a Rosalind James tinha que ter sido multada de alguma forma. =*

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