Paul Rudd em “Grace”

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Há várias formas de descrever a peça Grace, estrelada por Paul Rudd. Enquanto o autor Craig Wright a chama  de naturalista, alguns críticos a estão classificando de dark comedy. Na minha opinião, mesmo tendo momentos engraçados, a montagem está longe de ser uma comédia, mas também não chega a ser naturalista.

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O enredo é sobre um casal de cristãos devotos, Steve e Sara, que se mudam de Minneapolis para um condomínio na Flórida devido ao projeto dos sonhos de Steve. O vizinho de porta do casal é Sam, um engenheiro da Nasa que recentemente sofreu um acidente de carro, lhe causando uma grave deformidade no rosto e a perda de sua noiva. Por passar muito tempo sozinha, Sara acaba criando uma relação de amizade com Sam, apesar dele se demonstrar frio e rancoroso. Steve é extremamente entusiasmado com sua religião e sempre tenta converter todos a sua volta. É assim que entra o quarto personagem da peça, um alemão que trabalha no prédio onde mora o casal e desafia a crença de Steve argumentando com ele sobre o holocausto. O embate o faz questionar sua fé e tudo só piora quando a amizade entre Sara e Sam se torna um pouco mais colorida e os negócios não dão o retorno esperado.

Para quem cresceu assistindo As Patricinhas de Beverly Hills e se acostumou com o estilo Josh de ser que Paul Rudd traz em cada um de seus personagens, pode perceber que o papel de Steve lhe caiu como uma luva, todo jovem e entusiasmado! Mas a diferença entre o homem que interpreta no palco do Cort Theatre, em plena Broadway, e seus personagens de comédias cinematografias é que estes não costumam passar por crises religiosas tão grandes. Paul como sempre expõe seu extremo carisma, mas nem por isso deixa a desejar quanto a intensidade que seu personagem exige.

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Michael Shannon faz o personagem Sam que, assim como Steve, passa por um momento de grandes mudanças. Foi interessante ver sua interpretação de um personagem tão pouco expressivo e ainda com o rosto parcialmente coberto por uma máscara que esconde suas cicatrizes  (tipo fantasma da ópera mesmo, só que do outro lado do rosto). Preciso aplaudir o autor por ter escrito o diálogo do personagem explodindo de raiva com algum customer support – quem já falou com algum 1800 sabe bem como é uma experiência frustante.

Kate Arlington interpreta Sara e Ed Asner interpreta o trabalhador Karl, que é na verdade o alívio cômico da peça e também o personagem que dá ao público a mensagem mais relevante da peça. Apesar da história usar de flashbacks no seu início, a direção de Dexter Bullard  faz com que o espectador se envolva em todos os twists and turns ao longo dela e se surpreenda a seu final.

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