Moonrise Kingdom, de Wes Anderson

Wes Anderson é um dos poucos da nova geração de diretores realmente preocupados em fazer um cinema com a estética artística fiel a sua personalidade. É daqueles que como Woody Allen e Tim Burton, podemos reconhecer um filme seu mesmo sem ter seu nome no cartaz. Com seus traços delicados dando vida à temáticas e personagens sempre um tanto peculiares, Anderson já conquistou público e crítica por seu trabalho em Os Excêntricos Tenenbauns, Viagem a Darjeeling e O Fantástico Sr. Raposo.

Seu último lançamento é Moonrise Kingdom, longa que novamente reúne grandes astros em papeis muito particulares e instigantes. O ano é 1965 e o protagonista aqui é Sam, um garoto órfão e escoteiro que por acaso conhece Susan, a filha mais velha de uma família sem graça de uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos. Imediatamente apaixonados, os dois passam a trocar cartas e logo combinam uma fuga de suas vidas entediantes.

Com a estrutura intelectual de Susan, introspectiva e devoradora de livros, e as experiências de Sam como escoteiro, eles não conseguem mais esperar para se tornar adultos e independentes e partem em busca de uma aventura, a qual serão perseguidos pelo chefe dos escoteiros, os pais de Susan, a polícia e até a assistente social.

No elenco estão atores como Edward Norton, Tilda Swinton e Bruce Willis, além de Bill Muray e Jason Schwartzman, que repetem parceria com o diretor. Todos excelentes, encaram papeis bastante diferente de qualquer um que já tenham feito. Norton interpreta o líder do grupo de escoteiros de Sam, de forma meio pateta ele entrega a inocência do personagem na medida certa para não fazê-lo um idiota. Muray dá vida ao pai de Susan, praticamente a personificação do tédio vivido pela garota. As participações de Tilda e Jason estão mais ao final do filme, mas não os impede de fazer o máximo com seus papeis.

Cortes e diálogos rápidos, intercalados com silêncios estendidos compõe o ritmo da jornada dos dois e criam a personalidade do filme juntamente com as cores dos cenários e figurinos, que se mantém no tom pastel. Anderson usa constantemente o plano médio ao longo do filme, formando espécies de quadros na tela, criados especialmente pela disposição dos objetos em cena e pela palheta da fotografia.

Sam e Susan, ela querendo ter uma vida tão excitante quanto a dos personagens que tanto adora, ele demonstrando já poder seu dono de seu próprio nariz com seu cachimbo na boca. Eles se atraem por sua excentricidade, mesma característica tão encantadora em Anderson. Excentricidade que transparece na tela, fazendo do conjunto de história, personagens e visual tão atraente, criando mais uma obra deliciosa de se assistir na filmografia desse incrível diretor.

4 comentários

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