A volta de Katie Holmes…

Desde o momento que o casting foi anunciado, a peça Dead Accounts foi motivo de muitas piadas e discussão. Em um elenco com atores fortes e conhecidos na Broadway como Norbert Leo Butz e Jayne Houdyshell, a participação da atriz Katie Holmes foi uma escolha no mínimo estranha. Obviamente, a ex-esposa de Tom Cruise seria um asset comercial, no entanto, a falta de experiência da atriz comparado ao seu elenco poderia comprometer o resultado do espetáculo.

A peça tem a sua opening night amanhã, dia 29, mas começou suas previews no último dia 05, com um teatro totalmente lotado. Os ingressos foram a venda poucos dias após anunciado o divórcio de Katie e Tom. Se o diretor de marketing da peça estava a par ou não, não sei, mas por sorte ou estratégia, sua carreira certamente decolou e os ingressos (mesmo que com alguns descontos) estão sendo vendidos para muitos fãs e curiosos afim de ver a atriz ainda relembrada por ter vivido Joey no seriado Dawson’s Creek. Já o público assíduo do teatro vai mais pela interpretação de Norbert Leo Butz, voltando aos palcos após ganhar o Tony por seu papel no musical Catch Me If You Can e atuar no espetáculo off-Broadway How I Learned To Drive.

Dead Accounts é uma peça original escrita por Theresa Rebeck, autora de The Seminar (em cartaz até maio deste ano). A peça conta a estória de uma família de Ohio, em que seus filhos Jack (Norbert Leo Butz) e Lorna (Katie) possuem personalidades e estilos de vida completamente opostos. Enquanto a irmã é o modelo do correto, o irmão foi para Nova Iorque, onde se tornou corrupto e agitado. Agora ele retorna para casa para fugir de um suposto crime de 27 milhões de dólares.

A comédia é extremamente bem escrita, mas um tanto regional. Há uma constante comparação entre o midwest e NYC. A arrogância, ambição, forma de se vestir, falta de espiritualidade e o descosto de morar em qualquer lugar perto que não seja na ilha de Manhattan para os novaiorquinos, e a ingenuidade, hábito de frequentar a igreja, uso de cores nas roupas, simplicidade do centro americano.

A atriz Judy Greer foi excelente em sua performance como a ex-esposa novaiorquina de Jack, Jenny. Josh Hamilton interpreta o típico americano, Phil, amigo de infância de Jack e romantic interest de Lorna. A mãe, por sua vez, é Jayne Houdyshell, que não poderia ser mais típica – e arrasa no papel. Dona de casa e mãe de quatro filhos, é o equilíbrio e desequilíbrio de todos os personagens.

A interpretação de Katie Holmes não foi das piores, mas também não é excepcional. Ela está muito bem para quem não está no palco há anos e consegue vestir Lorna, mesmo que ainda nos lembre um pouco de Joey. Mas precisa-se admirar a naturalidade dela no palco e com a personagem, o papel não é particularmente fácil e novamente destaco que o elenco ao seu redor é de bastante peso. Katie, contudo, perde pontos com os frequentadores de teatro por não criar muito contato com o público. Ao sair da peça, independente do número de pessoas na stage door, a atriz corre para o seu carro sem olhar, abanar ou agradecer a presença. Coisa pouco usual, já que é de praxe na Broadway que os atores da peça participem da stage door após o show. O próprio James Earl Jones, mesmo que não assine playbills ou tire fotos, faz uma breve social com os fãs.

Não é de hoje que Norbert Leo Butz rouba a cena de todo elenco das peças que trabalha. A partir do momento que entra em cena, o público não para de rir. Seu personagem é um tanto histérico e sem a menor habilidade de concentração. Norbert é o desequilíbrio em pessoa, comendo e comprando compulsivamente, tangenciando conversas, omitindo detalhes e voltando a assuntos que foram encerrados antes com a maior naturalidade do mundo e sem perder o fio da meada.

O trabalho de Jack O’Brien na direção também é um dos pontos fortes da peça. foi extremamente bem feita. A história se passa inteiramente na cozinha da casa, tornando difícil a dinâmica e a criação de um ritmo atrativo para o espectador, mesmo assim O’Brien consegue fazer marcações eficientes e aproveita bem seu cenário único, não deixando que este se torne um obstáculo em seu caminho.

Para quem está marcando as férias de verão em NY, sugiro que já garantam os seus ingressos. A peça fica em cartaz apenas até o dia 24 de fevereiro.

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