The Wonderful Chaplin

Um musical baseado no nome mais conhecido no mundo cinematográfico, Charlie Chaplin, é sem dúvida sucesso comercial garantido, uma vez que trata de uma pessoa tão conhecida e querida pelo público geral. No entanto, se certificar que a qualidade do musical e do ator que vão representar o personagem sejam a altura da expectativa do público, este é o verdadeiro desafio.

O material para usar como base não poderia ser de mais qualidade, afinal, além da biografia do próprio, há inúmeros filmes, fotos e documentos que contam a história de Chaplin. Dentre essas várias formas, se inclui o filme de 1992 em que o ator Robert Downey Jr. interpreta Charlie, principal obra que traz familiaridade do público com o material. No caso de Chaplin, fugir do clichê ao representá-lo é algo praticamente impossível, já que foi o próprio cineasta quem criou e popularizou muitos dos hoje considerados clichês.

Having that said, o time criativo do musical foi extremamente inteligente na construção do personagem. Destaque para Thomas Meehan, escritor do musical, que foi responsável por responder à pergunta “como será que eles vão fazer isso no palco, como eles vão chegar nessa ou naquela parte da história?” e criar um texto interessante e instigante para um público que já conhece a vida do artista que está prestes a assistir.

A peça, como nos filmes de Chaplin, é totalmente em preto e branco. Há alguns elementos de cor, é claro, mas em geral dá aquele aspecto de voltar ao tempo. Quanto ao uso dos clichês, está presente e com evidências, com cartazes de “grand-finale” e tudo. São números do musical “Look a Like Contests”, as tradicionais lutas de Chaplin, entre outros momentos atrapalhados característicos da comédia pastelão.

Ao contrário do uso de flashbacks no filme de 92, o musical tem sua cena de abertura quando Charles Chaplin está no auge da sua carreira, literalmente em uma corda bamba. Mas a trama começa de fato quando ele era pequeno, em um passeio com a mãe em Londres. A importância de contar esta parte da história no musical, é porque são estas primeiras cenas da vida de Chaplin que dão a ele os elementos de base usados para desenvolver o Little Tramp, personagem pelo qual ficou famoso. Claro que falando de Broadway há uma grande romantizada na forma em que o personagem foi construído, mesmo assim é impossível não se emocionar no momento em que ele coloca o seu famoso bigode e se torna o querido vagabundo pela primeira vez.

A partir daí começam as construções de cenas dos filmes, parte que eu achei mais incrível da peça. A jogada das referencias do ator, com o momento da peça e os filmes não poderia ter sido mais inteligente. Como por exemplo na cena do filme The Kid, onde a criança esta sendo separada do Little Tramp e chora desesperadamente. A referência: momento em que Charlie foi separado da mãe na infância; na peça, Charlie, como diretor do filme procurava uma forma de conseguir a verdadeira reação da criança. A construção desta cena levava a projeção do filme, na mesma ação que a criança do palco.

Bem como a famosa cena de O Grande Ditador, que mostra toda a construção dela e o seu resultado. Ao falar de Chaplin, é impossível ignorar a época em que ele viveu e o seu envolvimento político. Na peça houve muitas observações sobre a sua visão humanitária, e participação em organizações socialistas, entretanto foi pouco destacado o fato que o ator era Judeu, e foi esta a principal razão que decidiu tomar uma posição contra o regime nazista na Segunda Guerra Mundial. O ator, com muito bom humor, também explicou que o seu desgosto com Hitler era devido ao fato que ele roubou o seu look.

Saindo um pouco do roteiro e indo para as músicas, o compositor Christopher Curtis, fez um ótimo trabalho. As letras e musicas estavam bem apropriados para o tipo de personagem e situação, e destaco os números “Life Can Be Like the Movies”, “The Life That You Wished For” e a minha favorita “All Falls Down”. A coreografia e direção de Warren Carlyle está lindíssima, e é importante destacar a dificuldade para fazer com que este não fosse um material muito óbvio para o público.

Ainda muito além da inteligencia do creative team, este musical conta com um elenco de primeira. Nele está a maravilhosa Christiane Noll, além do retorno de alguns favoritos e experientes ensembles, como Jim Borstelmann (um queridinho das produções de Mel Brooks) e Jenn Colella, a vilã da história. Entre as novas caras, o encantador Zachary Unger faz o papel do pequeno Charlie e Wayne Alan Wilcox é Sydney Chaplin.

Fazendo seu Broadway debut, o incomparável Rob McClure, grande surpresa da produção, no papel de Charlie Chaplin. O ator desconhecido que faz o papel principal já encantou o público e hoje é um dos maiores nomes na Broadway, sem dúvida é a grande promessa para o Tony Awards em 2013.

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