Crítica: “Raimunda Raimunda”

Regina Duarte agora é Raimunda. Duas vezes Raimunda. Encantada pelo texto do piauiense Francisco Pareira da Silva, a atriz comemora seus cinquenta anos de carreira encenando nos palcos duas das Raimundas criadas pelo escritor.

Ramanda é a protagonista do primeiro ato, que se passa em um futuro indefinido em que a natureza é escassa, o Sol não pode ser mais visto e oxigênio é artigo de luxo. Acompanhada por um jovem hermafrodita – e, portanto, confiável – nascido já neste mundo sem cores, Raimunda segue em direção a um paraíso rural enquanto relembra seus anos hippies e, com um sorriso no rosto e reflexões encobertas, conta suas histórias ao jovem sem melanina e ao público.

No segundo ato Raimunda Pinto toma conta do palco, na viagem de montanha-russa que é sua vida, dos confins do Ceará até o Rio de Janeiro, e além. Tudo porque em sua terra ninguém queria aceitar sua “uva”. Certa de que sua cara era o problema, decidiu ser enfermeira e iniciou sua jornada. Raimunda Pinto se transforma ao longo da peça e Regina Duarte não deixa escapar nenhuma chance de fazer a plateia rir, seja com seu jeito de andar sem igual ou as caras e caretas da menina arretada.

Quem ajuda a contar tanta história são os atores André Cursino, Creo Kelab, Allan Souza Lima, Henrique Pinho, Ricardo Soares, Rodrigo Becker, Rodrigo Candelot e Saulo Segreto, que se revezam com cerca de três papeis cada um, acompanhando Regina como pedestais firmes e certeiros que ajudam a manter uma estrela em pé. Com seus próprios trunfos, também arrancam risadas dos espectadores e chegam a cantar e dançar no palco enquanto a atriz precisa de tempo para se trocar. Pequenos intervalos, mas de muito divertimento.

Os figurinos são simples, assim como o cenário. Se a direção de arte escolhesse por uma mudança constante desses artefatos para acompanhar a história, ao invés de ajudar, esses artefatos poderiam atrapalhar a narrativa e redirecionar a atenção dos espectadores, portanto, a única intervenção feita é a reprodução de imagens para localizar o publico, apenas vez ou outra.

As nuances exigidas de Regina Duarte tanto no primeiro quanto no segundo são incontáveis e inimagináveis de serem realizadas, ela vai de menina a mulher em um piscar de olhos. Com interpretações únicas, verdadeiras, puras. Um potencial que parece não caber em uma telinha, e ainda mais por isso, a atriz arrebata o espectador quanto ao privilégio de poder testemunhar tamanha atriz, no que parece ser o auge infindável de sua carreira.

Para conferir o “Serviço” da peça e vídeos da coletiva de imprensa com a atriz, clique AQUI. (:

3 comentários

  1. concordo em numero, genero e grau!!! regina como raimunda extravasa, fala palavrões, e é uma delicia ouvir isso da boca dela, pois nunca imaginei q ouviria rssrsrs. recomendo Raimunda, e pretendo rever até dezembro!!!

  2. Ótimo post! Regina Duarte é sem dúvidas uma grande e bela atriz!
    Assisti a peça em julho, adoreei e recomendo! *-*

  3. Rodrigo Gomiero · · Responder

    Vcs tem certeza que assistiram do ponto de vista crítico, sem levar em conta a sensacional atriz que é Regina Duarte?
    A peça é péssima, mal escrita, mal dirigida, sem cronologia, Sem começo meio e fim.
    A atuação dos atores é que salva. Eles se esforçam na medida do possível numa peça nonsense!

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