“Fela!” World Tour

O frio já está começando a dar as caras aqui em Nova York e são nessas horas que a gente começa a lembrar um pouco dos melhor dias do verão, e eu finalmente tomei vergonha na cara para postar um pouco sobre como foi o verão novaiorquino. Foram muitas atividades, muitas coisas legais para serem postadas, mas cada coisa ao seu tempo.

O post de hoje é sobre o Fela! World Tour, uma ótima surpresa de última hora que o summerstock trouxe. Com a quantidade de teatros vagos, ficou fácil de algumas peças on tour darem uma passadinha também em NY e, entre elas esta que foi uma das peças que eu havia perdido quando teve sua primeira Broadway run em 2009.

Fela! é um musical sobre o músico nigeriano Fela Kuti, que estourou sua carreira musical nos anos 70 e foi um dos pioneiros do estilo musical afrobeat, além de ser um grande ativista de causas humanitárias e um “political maverick”. Mas o que isso quer dizer? Bom, para entender, vamos fazer um overview da história do artista.

Fela veio de uma família de intelectuais de classe média nigeriana. Em 1958 foi para Londres estudar medicina, mas acabou se apaixonando pela música e mudou o foco de sua carreira. Entre várias bandas, no final dos anos 60, em uma viagem a Ghana em busca de novos estilos musicais, Fela começou a chamar a sua música de Afrobeat – estilo musical que foi a referência para a conhecida brasileira axé music.

Através de sua música conquistou grande popularidade entre os jovens nigerianos e também de outros países, inclusive nos Estados Unidos e na Europa. Por ter o modelo em casa da mãe feminista e do pai, um reverendo protestante, Fela começou a se envolver cada vez mais em questões politicas do país. Casou-se com 27 mulheres ao mesmo tempo, compôs diversas músicas para criticar o governo e o sistema militar e gerou uma certa comoção na população jovem da Nigéria, o que certamente irritou muito às autoridades.

O musical foi uma obra muito bem escrita e dirigida, seguindo um modelo que deu certo em Jersey Boys, mas tocando em um assunto ainda mais delicado, afinal o espetáculo engloba todas estas questões politicas e os acontecimentos da época relacionando com a música do compositor. Considerando o número de ataques, estupros e morte envolvidos, todo cuidado era pouco.

Além das questões políticas, o espetáculo também mostrou a relação de Fela com a religião espirita Yoruba. O que, considerando o tradicional público da Broadway, pode ter sido uma experiência um tanto estranha. Admito que me perguntei muito durante a peça o que se passava na cabeça dos americanos que tem muito menos informações sobre as religiões espiritas em comparação com o público brasileiro.

Sim, é um show que trata de assuntos sérios, mas é uma noite divertida. A plateia é levada ao final dos anos 70, no Shrine, espaço que o cantor construiu para ser o seu lugar de exposição. Lá ele poderia colocar a sua opinião contra a política do país livremente. E mesmo não sendo o meu estilo musical favorito, através do Afrobeat o espetáculo permanece “animado” e sem dúvida termina como um crowd pleaser.

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