“Cinquenta Tons de Cinza”: Esqueça os Best-Sellers Água com Açúcar!

A mocinha inocente se apaixona perdida e instantaneamente por um rapaz fascinante, bonito, rico e misterioso. Os dois começam uma relação, mas o outro moço que gosta da garota não passa do melhor amigo na visão dela e vive tentando conquista-la. Familiar, não?

Lançado na Internet como uma FanFic de Crepúsculo escrita pela britânica E. L. James, Cinquenta Tons de Cinza é a versão erótica da saga de Stephenie Meyer, onde Edward é Christian Grey, Isabella (Bella) Swan é Anastasia (Ana) Steele e Jacob é José. Tornou-se um sucesso editorial, foi traduzido para vários idiomas e é o livro mais vendido na história da Inglaterra (isso mesmo, superou até os da saga Harry Potter).

Cinquenta Tons de Cinza é mais um romance adulto e existem diversas FanFics na rede, mas por que fez tanto sucesso? Primeiramente, pela combinação das duas coisas. Acredito que, como eu, muitas das pessoas que leram a história de Edward e Bella ficaram curiosas para saber como seria uma versão adulta disso, já que um dos principais argumentos dos “anti-Crepúsculo” é por o casal principal ser “bobo” demais. Então a ideia de colocar sexo numa saga famosa – e alvo de piadas – por não ter, já desperta a curiosidade. Depois de conquistar leitores por isso, o público seguinte veio pela repercussão que o livro está tendo, afinal não é todos os dias que vemos um livro sadomasoquista nas prateleiras dos mais vendidos, e isso também desperta a curiosidade.

Apesar de suas origens, esqueça vampiros e lobisomens. O livro conta a história de um rapaz (Grey) de pouco menos de trinta anos que atingiu cedo o sucesso profissional responsável por sua fortuna, e de uma garota (Ana) um pouco mais nova do que ele e que acaba de se formar na faculdade. Nada de especial em relação aos dois personagens, até que se conhecem por acaso e têm atração imediata um pelo outro. A inocente garota de fato se apaixona, mas o que Christian quer é diferente de um romance. Os dois não demoram a se envolver e, após Ana assinar um contrato de sigilo, Grey se apresenta como um Dom, um dominador sexual, e oferece outro contrato para que ela seja sua submissa, uma escrava sexual.

Christian é misterioso, cheio de conflitos internos e “fodido em cinquenta tons diferentes”, como ele mesmo se descreve. Ele não quer ser salvo, nem ajudado, e não faz questão de esconder de Ana o seu lado perturbado. Na verdade, isso não demora a ficar evidente, devido à forma como ele persegue a garota e tenta controlar a vida da mesma: um verdadeiro stalker. Mas toda sua instabilidade também lhe causa – poucos – momentos bem-humorados, o que ajuda a deixar a protagonista ainda mais fascinada por ele e mais curiosa para descobrir a razão de tanta frieza. É esse interesse todo que desafia Grey, que no fundo acredita não ser bom o bastante para ela.

Logo que Christian apresenta para Ana o seu mundo erótico e todo tipo de prazer relacionado à dor, o livro começa a se tornar um pouco repetitivo. Além das situações sexuais em diferentes circunstâncias e maneiras, a história passa a se resumir em trocas de e-mails com conversas entre os dois que não acrescentam muita coisa, contando com vários termos de baixo calão e devaneios românticos de Ana a respeito de Christian. Em certos momentos a qualidade literária de E. L. James é duvidosa, mas ao fim de cada capítulo a repetição se esvai e ela consegue deixar ganchos que instigam a continuação da leitura, e por isso é tão rápido terminar de ler esse livro.

Outra desvantagem dessa qualidade literária da autora, é que tal repetição de fatos e superficialidade na hora de explorar os personagens tornará necessária uma excelente direção para a adaptação cinematográfica, caso contrário se transformará em um filme pornográfico comum cheio de cenas forçadas de sexo sem motivo, sendo que tais cenas deverão ter justificativa em toda a tensão emocional do protagonista. Uma boa direção e interpretação do ator que fará Grey salvará o filme ou colocará tudo a perder. Não existirá meio termo: ou o filme será muito bom, ou será péssimo.

Mesmo contendo defeitos de narrativa, o livro é interessante e vicia. Conforme avançamos na leitura fica cada vez mais compreensível o fascínio de Ana por Christian, mesmo ele causando raiva e revolta em muitos momentos. Só não é recomendável para quem se sente incomodado em ler várias descrições de ato sexual e palavrões ao longo da história. O fato é que esses serão realmente os motivos para os leitores gostarem ou não; então para quem não vê problemas nisso, eu recomendo.

Cinquenta Tons de Cinza tem mais duas continuações: Cinquenta Tons Mais Escuros (já disponível no Brasil) e Cinquenta Tons de Liberdade (lançamento em novembro).

One comment

  1. Eu já que quero lol

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