Crítica: “Rock Of Ages”

It’s just like living in paradiiiiise and I don’t wanna go hooome!

Ok, zoem com a minha cara, mas eu desafio qualquer um de vocês a ir assistir Rock of Ages e não voltar com pelo menos uma musiquinha grudada na cabeça. E o melhor disso tudo é que essas não são daquelas músicas que você fica irritado por não conseguir parar de cantar, bem pelo contrário, se prepare para querer sair correndo para uma balada com o melhor do rock dos anos 80!

Em 2007, ao dirigir a adaptação do musical Hairspray para os cinemas, Adam Shankman transportou o som contagiante dos anos 60, com coreografias muito bem construídas e executadas e uma história, embora não muito surpreendente, bem jeitosinha. Agora Shankman repete seu feito e traz de volta o rock dos anos 80 em Rock Of Ages, levando o sucesso que estreou na Broadway em 2009 para o mundo inteiro.

A trama se passa em Los Angeles (ou Lost Angels para os íntimos do glam rock) e acompanha alguns personagens envolvidos com o estilo musical recriminado pelas famílias conservadoras da região. Sherrie Christian é a garota que sai da pequena Tulsa para tentar a vida como cantora e logo encontra Drew, também aspirante a carreira musical, quem a ajuda a conseguir um emprego como garçonete na casa de shows Bourbon, onde ele trabalha. O lugar comandado por Dennis Dupree e Lonny (Alec Baldwin e Russell Brand) está à beira da falência e depende do show do rock star Stacee Jaxx para continuar de pé. Stacee é o alvo de um grupo de protestantes contra a insanidade perpetuada pelo rock, liderado por Patricia Whitmore, a primeira-dama da cidade, quem obviamente tem problemas pessoais com ele.

O maior triunfo de Rock of Ages sem dúvidas é sua trilha sonora, como não poderia deixar de ser. Quem não é familiarizado com o estilo, vai entrar na onda e provavelmente sair do cinema diretamente para frente do computador em busca de sites de download. Quem já curte, pode comemorar por ter um filme repleto de suas músicas favoritas e dificilmente se decepcionará com as versões feitas para o longa.

Afinal, como não delirar ao som de “Wanted Dead Or Alive”, “Here I Go Again” e “Rock You Like a Hurricane”?! Enquanto uma ou outra canção da peça acabou não entrando para o filme, outras foram adicionadas para aqueles momentos de transição de cenas. Entre elas, a que intitula a história, “Rock Of Ages”, do Def Leppard. Algumas das músicas escolhidas poderiam soar fora de contexto e muito melosas, mas é aí que entra aquele bom humor irônico que faz tudo dar certo e se encaixar com o filme. É o caso de “I Want To Know What Love Is” e “Can’t Fight This Felling”.

Ok, agora vamos falar de Tom Cruise. Essa preparação toda é porque o Tom Cruise de Rock Of Ages não é o Tom Cruise que vocês conhecem. Ele deixa de lado a cara de bonzinho charlatão e dá lugar a um astro do rock perturbado e muito, muito sexy! O personagem é quase uma caricatura – assim como quase todos os outros –, mas que líder de banda de rock dos anos 80 não é?! E além do mais, who cares? Além de mandar bem nas cenas com levada cômica, quando chega na hora de subir no palco, o ator nanico fica irreconhecível! Sua versão de “Pour Some Sugar On Me” está aí para provar isso.

Outro que mostrou seu valor principalmente nas cenas rock’n’roll-motherfucker foi o mexicano Diego Boneta. O ator pode ser mais conhecido no Brasil por ter feito a novela Rebelde, mas já há algum tempo tem trilhado seu caminho em Hollywood. Participou de séries como 90210 e Pretty Little Liars, mas o papel que pode alavancar sua carreira é o de Drew. Nos primeiros minutos do filme fiquei meio desconfiada de seu potencial para atuação, mas foi só ele começar a cantar “Juxe Box Hero” e, mais tarde, “I Wanna Rock” para eu entender o porquê de ele ter sido o escolhido para o papel. No final do filme, para ser sincera, já estava completamente encantada pelo ator e por seu personagem.

Diego não é o único rosto novo no elenco de estrelas, a adorável Julianne Hough, quem dá vida a Sherrie, estrelou no recente remake de Footloose, mas o filme não fez o sucesso esperado e ela continuou sendo mais conhecida por ser a namorada de Ryan Seacrest – embora nunca tenha feito disso um motivo para se tornar celebridade. Agora, porém, a loira cheia de potencial vocal tem grandes razões para ser reconhecida. Ela convence muito bem como a garota interiorana com um grande sonho e que luta para sobreviver na não tão hospitaleira Los Angeles. Sua voz é de tirar o chapéu e suas cenas cantando, como no dueto de “Waiting For A Girl Like You” e de “More Than Words” com Dieguito, estão entre os highlights do filme.

A personagem de Catharine Zeta-Jones, infelizmente, está entre as menos desenvolvidas. Para quem espera que ela seja a vilã, não é bem por aí. Embora ela comande o protesto contra o Bourbon, pouco ela faz além disso. Não há planos maléficos ou nada de muito concreto a não ser fazer parte de um grupo de dondocas e esconder um passado com o delírio Stacee Jaxx. O vilão, então, fica a cargo do agente do rock star, Paul Gill, papel de Paul Giamatti. A presença de Zeta-Jones, porém, não é desperdiçada. Em seus primeiros minutos na tela, ela já apresenta um número de “Hit Me With Your Best Shot” em uma vibe Velma Kelly que já vale seu papel.

Outra personagem sem muita profundidade é a jornalista da revista Rolling Stone, Constance Sack. Sem uma história para si mesma, ela mais serve como pilar para a trama de Stacee Jaxx. Mas a atriz Malin Akerman não deixa isso a diminuir e sempre entra com tudo em cena e ajuda bastante Tom Cruise nas tiradas cômicas.

Não posso deixar de falar de duas participações completamente opostas, mas ambas ótimas: Mary J. Blige como Justice e Bryan Cranston como o prefeito Mike Whitmore. A famosa cantora entra no filme para auxiliar Sherrie em um momento difícil e embora não tenha um papel muito fundamental, empresta seu vozeirão para algumas das músicas. Já Cranston, mesmo que não cante nada e seu personagem também não seja fundamental, mostra como é engraçado ver o ator de Breaking Bad em um papel completamente diferente de seu personagem na televisão.

O roteiro escrito por Justin Theroux, Chris D’Arienzo e Allan Loeb foi fiel a forte vertente cômica da peça e Shankman soube medir muito bem as doses de humor e seus momentos exatos, que poderiam ter sido exagerados – ainda mais nas cenas de Brand e Baldwin.

A direção de arte e figurino estão impecáveis. Não daria para esperar menos de um filme deste porte, mas é sempre fantástico assistir a um filme com esta qualidade artística. Ainda mais se passando em uma época em que, novamente, seria fácil passar um pouco do limite.

Mesmo sendo fã da peça da Broadway e com expectativas muito altas em relação ao filme, devo dizer que não fiquei nada decepcionada. Pelo contrário, já estou louca para ver de novo. Posso ter deixado o meu lado estudante de cinema e crítica totalmente de lado nesta review, mas foi incontrolável. Sorry! É tudo culpa do Adam Shankman. Aliás, terminar o filme com o astral lá no alto já pode ser considerada uma das especialidades do diretor, então, fã ou não, se prepare para sair do cinema bem satisfeito e com gostinho de quero mais ao som de “Don’t Stop Believing”!

Aguardem nosso Especial: Rock Of Ages! ;D

7 comentários

  1. […] Desde muito pequena eu já sabia que era exatamente isso que eu queria e é claro que como amante do musical da Broadway, eu não podia deixar de me identificar e morrer de amores com o filme Rock Of Ages. […]

  2. […] arrasaram acompanhados de suas guitarras e esbanjaram sedução, aumentando ainda mais o nível de Rock of Ages. O que nos resta é a vontade de assistir ao filme em um repeat infinito e muito YouTube! Share […]

  3. Ótimo post!! Parece interessante esse filme, irei assistir

    1. Obrigada, Guilherme!
      Não esqueça de nos dizer o que achou! :D

  4. Alguem sabe onde posso encontrar o texto para download??? Quero montar na faculdade de artes.

    1. Oi Milah, tudo bem?
      Infelizmente não tenho o link de download do texto. =/

  5. […] Desde muito pequena eu já sabia que era exatamente isso que eu queria e é claro que como amante do musical da Broadway, eu não poderia deixar de me identificar e morrer de amores com o filme Rock Of Ages. […]

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