Santo Christopher Nolan, Batman!

Batman nunca foi um personagem levado muito a sério pelo público em geral. Se seu colega de Liga da Justiça se compromete colocando cuecas sobre as calças, Batman sempre levou o companheiro Robin a tira colo e se comportava muita vezes como o oposto de um cara durão. Isso na sua série de televisão, é claro, meio pelo qual o personagem se tornou famoso nos anos 60. Essa vertente divertida e caricata foi a base de alguns filmes do Homem-Morcego, enquanto outros diretores tentaram dar um ar mais sério ao herói. Na tentativa de reconstrução do Batman alguns foram melhor sucedidos do que outros, mas a verdade é que ninguém chegou aos pés de Christopher Nolan.

Em uma ascensão de obras da melhor qualidade, primeiramente ele foi o responsável por construir a origem do herói e reapresentá-la ao público, no segundo filme, o mais icônico de seus vilões ganhou uma performance como nunca vista que, apesar da ótima produção, já vale o filme. O questionamento agora não era dos mais fáceis: como definir o destino de Bruce Wayne, superar os longas anteriores e não decepcionar milhões de fãs ao redor do mundo?

Uma das grandes missões da terceira parte da saga era fazer com que Batman se tornasse o foco da história, já que desde sempre seus vilões, como incríveis personagens que são, tomaram seu lugar nos olhos do espectador. Em sua versão milionário-a-beira-da-falência, Bruce Wayne também está na pior no quesito condições físicas. Com um herói em grave estado também psicológico, a complacência de quem acompanhou sua jornada até então não poderia ser maior. Assim, desde o primeiro momento ele traz o espectador para o seu lado, lugar de onde este não sai até o segundo final do filme.

O vilão não é mais fraco do que seus antecessores. Ao se lembrar de Heath Ledger como Coringa pode ser difícil de acreditar, mas o mascarado Bane é de botar medo. Com um discurso anarquista pirado extremista, o grandalhão interpretado pelo irreconhecível Tom Hardy possui o que mais falta a Batman nesta fase: força. Além de sua inquebrável convicção, Bane mais parece um trator e faz todos se questionarem genuinamente se há uma maneira possível de ele ser derrotado.

Já a mais sedutora de todas as vilãs ganha vida com Anne Hathaway, uma doçura de mulher que não se cansa de mostrar novas facetas no cinema. A Mulher-Gato de O Cavaleiro das Trevas Ressurge é outro exemplo de superação, já que o papel eternizado por tantas mulheres na televisão e no cinema teve sua última versão feita por Michelle Pfeiffer no longa de Tim Burton em 1995, mas agora encontra uma nova cara. Nada de gatos, roupas costuradas em casa ou uma mulher psicologicamente afetada, a Mulher-Gato está mais elegante do que nunca e ao invés da sensualidade óbvia, ela utiliza de seu charme moderado, porém certeiro, a seu favor.

Outro personagem importante surge na trama: o policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt). Em tempos em que o Batman assume os crimes do Duas Caras e se torna um bandido desaparecido odiado pelos cidadãos de Gotham, um seguidor que sabe da verdadeira índole do herói não vai nada mal. Formando uma relação de mentor e menino prodígio (sacam?! ;D), o apoio de Blake é fundamental, ainda mais considerando que esse apoio não vem apenas no papo consolador, mas também como mais um homem na batalha.

Marion Cotillard representa uma ótima substituta para Rachel, já que, afinal, o coração de um dos super-heróis mais galinhas já conhecidos não pode ficar sozinho. Ligada ao salvamento das empresas Wayne, sua personagem Miranda Tate exibe toda sua simpatia e “adorabilidade” para ajudar nosso protagonista a ressurgir.

Não podemos esquecer de Lucius, Alfred e Comissário Gordon (os mitos vivos Morgan Freeman, Michael Caine e Gary Oldman), também peças fundamentais nesse ressurgimento. É com Alfred que o publico é presenteado com uma das cenas mais bonitas da trilogia, um diálogo longe de ser entre empregado e patrão, mas sim de pai para filho. A relação entre os dois pode ter sido destacada em todos os filmes do Morcego feitos até hoje, mas foi na pele de Kane que Alfred entrou na história de maneira funcional e a trilogia não poderia chegar ao fim sem uma conversa clara e direta entre os dois.

São momentos do filme como esse diálogo que mostram que o trunfo dessa trilogia vai para além dos efeitos especiais impecáveis e elenco estelar de máxima qualidade, seu roteiro completa o tripé que faz de um filme um filme de verdade. O resultado está no público, que não apenas gera números e mais números de bilheteria, mas que também se rende a história contada, a experiência visual e faz dele inesquecível.

A trilogia pode ter acabado, ou não. Sem dúvidas o fim dá um gostinho de quero mais, mas a sensação de terminar uma saga em um nível tão alto também é satisfatória. Agora eu quero é só ver quem vai ser o louco que terá coragem de colocar as mãos no Batman e trazê-lo de volta para o cinema depois de Nolan.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: