Crítica: Na Estrada

É sempre empolgante quando um diretor de cinema brasileiro tem a oportunidade de trabalhar fora do país, comandar atores que falam outra língua e deixar impressa sua personalidade em um filme que será exibido mundo à fora.

É por isso que Na Estrada se tornou um filme muito esperado pelo público brasileiro, e por se tratar de Walter Salles – que carrega no currículo Central do Brasil e Diários de Motocicleta – que críticos do mundo inteiro o aguardavam também.

Sua primeira exibição foi no Festival de Cannes, em maio, e ele foi recebido entre controvérsias, assim como aconteceu na última sexta-feira (29) na sessão para imprensa em São Paulo.

Devo dizer que fiquei especialmente feliz com isso, não apenas pelo bafafá deixar o público ainda mais curioso antes de sua estreia, mas também por deixar as expectativas neutras. Um filme que divide a mídia deixa o espectador sem uma única onda de influência e aberto para tirar da obra suas próprias conclusões. E mais ainda, mostra que Na Estrada é um dos filmes que não segue uma fórmula cômoda, mas sim depende da maneira que o receptor irá interpretar a obra.

Antes de me aprofundar no filme, vamos a sua origem: o livro de Jack Kerouac. Escrito em 1957, Na Estrada é a principal obra de um movimento chamado “Beat”, nome dado pelo próprio Kerouac. Formado por escritores no final dos anos 40, o Beat é famoso por caracterizar uma época em que jovens saíam para experimentar a vida, sem rumo, sem laços fixos a ninguém ou lugar nenhum.

No livro, praticamente autobiográfico, Jake conta sobre sua amizade com Neal Cassady – nomeado Dean Moriarty no livro e no filme – e relata os anos que os dois passaram juntos. Entre viagens, reencontram amigos, conhecem pessoas e vivem como se não houvesse amanhã.

A história demorou quase 50 anos para ser contada no cinema, mas não parece atrasada ou desconexa, ao contrário, jovens serão sempre jovens e é interessante ver o retrato do comportamento libertário que asfixiava esse grupo de pessoas (que poderiam ser nossos avós).

A delicadeza, naturalidade e crueza que Salles passa para as telonas é admirável e seu trabalho detalhado com os atores é nítido. Em meio as farras dos personagens Dean e Marylou, os momentos de aproximação emocional destes com o espectador mostram a troca intensa do diretor com Garrett Hedlund e Kristen Stewart, que apresentam uma qualidade de performance inédita.

O novato Sam Riley interpreta nosso autor e protagonista Sal Paradise (Jack Kerouac) e não fica atrás de nomes famosos que encontramos pelo caminho como Viggo Mortensen, Amy Adams e Kirsten Dunst. Escolher um ator pouco conhecido para o papel de Sal foi fundamental, pois assim o público consegue embarcar mais facilmente em sua narrativa, em que não apenas descobrimos com ele os personagens e situações à volta como conhecemos quem ele é e o acompanhamos em sua jornada.

O filme é longo e ao seu final pode se tornar cansativo por conta das idas e vindas e encontros e desencontros. Deixa a impressão que alguns momentos poderiam ter sido cortados ou encurtados, mas a escolha final se deu porque Salles quis se manter o mais fiel possível ao livro. Esse detalhe, porém, não tira créditos da obra, do elenco ou da expressão deixada pelo brasileiro sobre o livro polêmico, querido por muitos e contestado por outros, assim como o filme promete ser.

 Estreia: 13 de julho

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