Entrevista: Beto Sargentelli

O Funny Girl não está a fim de deixar descansar os maravilhosos atores que o teatro musical vem revelando e desta vez no alvo foi Beto Sargentelli intérprete de Lucas Beineke em A Família Addams, produção diretamente da Broadway que está lotando suas sessões no Teatro Abril em São Paulo.

Lucas é o personagem de mais destaque de Beto, mas o ator já tem musicais como Into The Woods, Meu Amigo Charlie Brown e Mamma Mia! no currículo. Conheça mais sobre esse jovem talento na conversa delícia que tivemos com ele:

No seu começo de carreira você fez muito teatro, mas não musical, quando você se viu querendo juntar canto, dança e atuação nos palcos?

Bom, eu tive muita sorte! Cresci em meio à música! Boa parte de meus familiares são músicos e/ou cantam, então desde muito jovem eu canto, toco violão e tenho muitas referências artísticas e musicais. A partir dos 12 anos comecei a atuar em diversos filmes publicitários, o que despertou em mim também o interesse pelo ofício de ator. Juntamente com os filmes publicitários comecei a fazer teatro, passei por algumas companhias e grupos de teatro e mais tarde, inevitavelmente, me formei em Artes Cênicas. Foi engraçado, eu sabia da existência dos grandes musicais americanos, mas não fazia idéia de que já estavam vindo com tanta força ao Brasil. Eu já havia realizado peças com músicas executadas ao vivo, onde atuava, cantava, dançava e tocava violão e outros instrumentos, mas eram propostas diferentes dos musicais da Broadway. Certa vez um amigo meu me disse: “Cara… você é ator, cantor e gosta de dançar, por que você não faz testes para os grandes musicais?”. Não deu outra, comecei a pesquisar e estudar muito os estilos de interpretação, canto e dança mais específicos para musicais, ouvir as trilhas sonoras, assistir aos clássicos filmes musicais e também aos grandes musicais que estavam em cartaz aqui em São Paulo e me apaixonei pelo gênero. A magia, precisão, versatilidade e o nível de profissionalismo eram encantadores. Amo atuar e amo cantar, seria o lugar em que eu poderia fazer as duas coisas ao mesmo tempo! Fui aprovado em meu primeiro musical da Broadway aos 18 anos. A dança específica para teatro musical veio um pouco depois, eu já havia feito aulas de Dança de Salão, mas Balé Clássico e Jazz Dance, que são os estilos mais utilizados nos musicais, eu venho estudando há 3 anos e recentemente iniciei o Sapateado Americano também.

A Família Addams teve suas versões nos quadrinhos, televisão e cinema. Qual outra história de um desses meios você escolheria para virar um musical no teatro?

Escolheria o filme O Labirinto do Fauno produzido e dirigido por Guillermo del Toro. Neste filme há elementos interessantíssimos para um musical, trata-se de uma fábula onde realidade e fantasia se confundem, com a presença de personagens reais e fantásticos, além de possuir como pano de fundo um debate social e político (Fascismo/Guerra Civil Espanhola). Acho este filme uma obra-prima e adoraria vê-lo como um musical e, se não for pedir muito, com composições de Stephen Sondheim.

Para pesquisa de personagem você assistiu ao musical da Broadway ou se concentrou nas direções passadas especificamente para a versão brasileira?

Assisti aos três filmes que foram lançados na década de 90, a série de TV do começo dos anos 60 e a série animada feita por Hanna-Barbera. Evitei assistir qualquer vídeo do musical na Broadway e confiei cegamente em nossos diretores Steve Bebout (Diretor Associado) e posteriormente Jerry Zaks, um dos grandes diretores da Broadway. Ambos sempre confiaram em nosso trabalho e nos deram total liberdade de criação e discussão acerca de nossos personagens, uma experiência sensacional. 

Lucas foi um dos personagens criados especialmente para o musical. Como é interpretar um personagem que é introduzido no meio dessa família tão icônica?

É uma responsabilidade muito grande, haja vista que, de certa maneira, o público “visita” a mansão dos Addams juntamente com os Beinekes. Nossos personagens são mais próximos do público e de cara já há uma certa identificação. A Família Beineke sofre uma grande transformação ao lidar com a representação do “Fantástico/Mágico/Encantado”, que no musical é retratado pelos Addams e é uma alusão direta ao que acontece com o público, que sai mudado ao entrar em contato com o universo de A Família Addams. Já me perguntaram por que eu assisti os filmes e séries dos Addams sendo que meu personagem só existe no musical. Assisti justamente para ver como era retratada a reação das pessoas ditas “normais” ao lidar com a excentricidade dos Addams. Especificamente dar vida ao Lucas é sensacional, porque tanto ele como a Wandinha mostram que não há certo e errado, normal e anormal. Intrinsecamente, o Lucas possui e/ou desenvolve características de um Addams e a Wandinha possui e/ou desenvolve características de uma Beineke, assim como cada um de nós somos seres vivos naturalmente mutáveis.  

O musical tem uma vertente cômica e atores muito talentosos. Já passou aperto para se concentrar e seguir com o texto no meio de uma cena?

Além de ser um musical muito engraçado, possuímos um elenco talentosíssimo e especialista em comédia! No começo dos ensaios todos nós chorávamos de rir com as cenas e com nossas criações. Com o tempo aprendemos a controlar e quando estreamos já estávamos “calejados”!(risos)

Lucas precisa de muita coragem para enfrentar um jantar com essa família macabra. Qual situação na sua vida você precisou dessa coragem?

Aconteceu bem recentemente quando logo no começo da temporada de A Família Addams meu avô faleceu. Foi uma grande perda para mim e para todos meus familiares e quase não fiz o espetáculo. Depois de muito refletir entendi que ele não gostaria que eu deixasse de fazer, como ele próprio sempre dizia: “O show tem que continuar!”. Mesmo estando muito triste, fiz a apresentação naquele dia e dediquei a ele pois sabia que ele estava lá de alguma maneira para me assistir.

Se você pudesse escolher qualquer pessoa do mundo musical para cantar um dueto no palco, quem seria e com qual música?

Eu escolheria a Ruthie Henshall pra cantar ‘Anything You Can Do’ (I Can Do better) de Annie Get Your Gun.

Ainda nesse mundo hipoteticamente perfeito, qual papel você escolheria para interpretar que neste mundo real por restrições de idade ou sexo não seria possível.

Bert, de Mary Poppins.

Qual sua música de karaokê ou aquela típica do chuveiro?

Somente uma!? (risos) Atualmente estou com três na cabeça: “Nothing I Do” (Jamie Cullum), “Oração” (A Banda Mais Bonita Da Cidade) e “Dos Gardenias” (Buena Vista Social Club).

Para os iniciantes em musicais, indique cinco filmes ou peças que eles não podem deixar de ver.

Vou indicar cinco filmes musicais: Mary Poppins, Cantando na Chuva, Sete Noivas Para Sete Irmãos, Moulin Rouge e Ópera do Malandro.

 

Confira aqui tudo o que rolou na coletiva da peça e vídeos das apresentações “Pra Quem É Addams”“Bom Caminho / Só Dessa Vez”.
Não deixe de ver também nossa crítica sobre o espetáculo e a entrevista exclusiva que fizemos com Nicholas Torres, o Feioso! ;)

One comment

  1. Eu fui assistir a peça de teatro da
    Famíla Addams…eu adorei todos atores estão de parabéns pela increvel interpretação!!!

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