Crítica Teatral: “Amante”

Para a alegria dos amantes do teatro, o que nunca faltou em São Paulo foram ótimas peças em cartaz e ultimamente as grandes produções, principalmente musicais, resolveram invadir a terrinha da garoa de vez. Mas não é por isso que o circuito denominado alternativo deixou infestando a cidade com peças de menor orçamento, vertentes artísticas diferentes e textos originais. Nessa cidade cabem teatro de todos os gêneros e tamanhos e é nesse segundo setor que se encontra Amante. O espetáculo está em cartaz no Centro Cultural do Banco do Brasil, no centro da cidade, palco de exposições e mostras ao longo do ano inteiro, sempre com ingressos baratíssimos e trabalhos de qualidade que merecem uma chance do público paulistano que não costuma mudar de rota.

Com texto e direção de Roberto Alvim, livremente inspirado em uma obra inglesa, a peça recebe inegavelmente um destaque a mais por conter um ator conhecido da televisão e do cinema: Caco Ciocler, quem já admitiu – em outras palavras – fazer televisão pelo financeiro e teatro por amor à arte. Como colegas de palco, Ciocler tem apenas Juliana Galdino e Bruno Ribeiro. Não tão populares, mas igualmente interessantes e competentes em seus papeis como a amante e o investigador, respectivamente, enquanto Caco faz o respectivo marido.

Seria chato explicar o enredo da história já que a proposta da peça é realmente se revelar no decorrer de seus poucos 50 minutos de duração. Enquanto parece que o trio de personagens sabe muito bem o que aconteceu no passado e aonde querem chegar com o interrogatório feito na delegacia, local único onde se passa a trama.

Por se passar durante esse interrogatório, em Amante o texto é o elemento mais importante da peça, através dele os atores colocam todo o seu poder na fala e fazem da voz seu principal instrumento. Já para os espectadores fica o trabalho de aguçar os ouvidos e utilizar ao máximo a imaginação, pois dessa vez não há mensagens sendo entregues com todas as letras e dadas de mão beijada – como nos grandes espetáculos que a maioria está acostumado a assistir – e interpretações precisam ser feitas. Não há cenário e entre os poucos objetos de cena estão os figurinos e a pequena mesa do investigador com um gravador e uma luminária. A iluminação, aliás, embora simples, é estrategicamente colocada de forma que ilumine filetes de corpos, por vezes mais forte em um, por vezes mais forte em outro, aumentando a tensão de revelações feitas em paralelo entre o marido e sua mulher, atiçadas pelo investigador.

Intrigante e, sem dúvidas, original, Amante coloca até os mais assíduos fãs de teatro para pensar e digerir uma peça um tanto quando incomum e traz um novo tipo de experiência para o público mais leigo. Quem ainda não conhece o antigo prédio lindamente restaurado do CCBB, essa é a oportunidade. Preço não será desculpa, por R$ 6,00, um programinha diferente no final de semana é sempre bem-vindo!

Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
(11) 3113-3651 / 3113-3652
Sexta às 20h, sábado às 18h e às 20h e domingo às 19h
até 1º de julho

2 comentários

  1. peça de extremo mal gosto, nunca vi um platéia tão insatisfeita e desrespeitada

  2. Deixo aqui minha indignação perante à peça. Começou às 18:20h (marcada para começar às 18h) e terminou às 18:45h! Ridículos 25 minutos de peça! Fiquei incrédula que já tinha acabado. Os atores não apareceram sequer para receber os aplausos (ou vaias, talvez merecidas)! Uma falta de respeito imensa com o público, que lotou a sala, porém saiu extremamente insatisfeito com o que viu. Não recomendo!

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