Crítica: “Branca de Neve e o Caçador”

As adaptações de Branca de Neve e os Sete Anões para os cinemas, juntamente com a estreia do seriado Once Upon a Time – que também tem o conto como seu ponto de partida – causaram alvoroço, debates e ansiedade desde seu anúncio, ainda mais por chegarem em cartaz com datas tão próximas e premissas tão diferentes. Quem assistiu já pôde confirmar que Espelho, Espelho Meu, assim como seu trailer prometia, é envolto pelo gênero comédia, mas não apenas isso, o filme realmente se foca no público infantil, com uma trama divertida, porém banal. A partir dessa sexta-feira, dia 1º, o público poderá ver o resultado da segunda adaptação, Branca de Neve e o Caçador, uma versão épica para o conto dos Irmãos Grimm eternizada pelo longa da Disney – seu primeiro – de 1937.

Pela primeira vez vi uma introdução para a história como a que eu costumava ler quando criança, mostrando a mãe de Branca de Neve e contando sobre como seu nome foi escolhido. Para mim, foi um bom começo logo de cara. O longa então mostra a garota criança e uma novidade: um certo amiguinho chamado William que logo podemos identificar como um futuro substituto para o príncipe, já que este não participa desta versão. A origem do caçador (agora chamado Eric), que pensando bem, nunca antes foi discutida, é mais explorada e o anões, claro, tem suas próprias peculiaridades e novas vidas, sem contar um novo membro! Os oito anões, compostos por um time de atores que incluem Ian McShane, Nick Frost e Toby Jones, são um grupo de ex-mineiros badasses sobreviventes que demoram a dar as caras, mas assumem o importante papel de se manterem cúmplices a sua princesa que luta por vingança e por seu direito ao trono, com armadura, espada na mão e gritinhos ferozes.

Branca de Neve e o Caçador é meio paradoxal. Muita nobreza é demonstrada em seu roteiro e direção de atores, tanta nobreza, aliás, que mesmo combinando muito bem com o tipo da personagem que estamos acostumados a ver, chega a dar preguicinha. Mas ao mesmo tempo em que somos apresentados a essa bela dose de politicamente correto, quando chega a hora da protagonista enfrentar a já conhecida – e temida por muitas crianças – Floresta Negra, vemos que esta foi transportada para esse ambiente épico com um resultado mais aterrorizante do que nunca, mostrando realmente o que é ter uma mente drogada perturbada no meio de uma floresta mágica.

A cena da Floresta Negra, porém, não seria o que é sem um belo departamento de efeitos visuais, que tem seu trabalho como um dos grandes pontos positivos do filme e não deixa a desejar quando a questão é a credibilidade de toda essa fantasia requerida pelo roteiro, e juntamente com a fotografia garantem ao longa um visual de primeira linha.

O nome no elenco que coloca um pouco de vida em meio a todas essas qualidades técnicas é Charlize Theron. A mulher merece um troféu. Depois de passar um tempo afastada, este ano ela resolveu voltar com tudo. Não apenas escolheu papeis totalmente diversificados em Jovens Adultos e Prometheus como parece se entregar completamente a cada um, sem importar o gênero ou orçamento. Esse comprometimento mais seu talento faz dela a melhor Bruxa Má já vista.

Já a jovem atriz Kristen Stewart tem feito boas escolhas para tentar se desvencilhar da imagem de Bella Swan (sua personagem na saga Crepúsculo), começou por Férias Frustradas de Verão em 2009 e The Runways em 2010 e este ano estrela em Na Estrada, mas com o currículo extenso que já possui poderia ter conseguido ao menos uma vez demonstrar um pouco de simpatia (que ela não possui, mas é uma atriz, não é?) em seus personagens. Infelizmente para ela, embora seja competente – e linda – , não consegue transpassar a empatia que uma heroína que convoca seguidores necessita, deixando difícil ao espectador se deixar levar por essa protagonista.

O caçador Chris Hemsworth dá conta do recado, mas ainda não foi dessa vez que ele teve a chance de mostrar muitos lados de sua atuação, já que este papel não se difere tanto assim do nosso querido Thor e embora esse enredo dê ao personagem um novo background, não é nada que desenvolva uma grande profundidade a ser trabalhada. Na categoria masculina vale ficar de olho em Sam Claflin, que interpreta William, e Sam Spruell, encarregado de outro novo personagem para a história, o irmão da temida Ravenna (nome dado à madrasta que remete aos seus companheiros corvos, “raven” em inglês).

Como não poderia deixar de ser, o longa tem seus clichês que incluem a trilha sonora e um amor de infância, que novamente se contrapõe com tiradas originais, como apresentar a bruxa mais próxima a do conto original com direito a testemunhar esta ter corações como entrada para o jantar.

No geral, a dica é entrar na historia sem medo de ser feliz, afinal, não seria lógico esperar um filme realmente adulto. Sem dúvidas mais adulto que Espelho, Espelho Meu, Branca de Neve e o Caçador pode se encaixar no subgênero recém inventado por mim “Épico Juvenil”.

Já que aqui no Funny Girl a gente também fala de moda, acho legal dar a dica para as garotinhas interessadas prestarem atenção nas tranças que estão presentes no filme inteeeiro, com os mais diferentes modelos dos mais simples aos mais elaborados para vocês se inspirarem! ;)

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4 comentários

  1. Nesse videocast comparamos o filme A Branca de Neve e o Caçador e Espelho Espelho Meu. Conversa descontraída sobre os dois filmes. Vale a pena dar uma olhada. http://www.youtube.com/watch?v=dLYeQ4opuDE&list=UUNah9sI9R7zPABibsHeoBVw&index=4&feature=plcp

  2. […] O Hobbit: Uma Jornada Inesperada As Aventuras de Pi Os Vingadores Prometheus Branca de Neve e o Caçador […]

  3. […] O Hobbit: Uma Jornada Inesperada As Aventuras de Pi Os Vingadores Prometheus Branca de Neve e o Caçador […]

  4. […] foi Charlize Theron, atriz que tem encaminhado um filme atrás do outro e protagonizou Prometheus e Branca de Neve e o Caçador, ambos indicados na categoria Efeitos Visuais. A bela que já levou a estatueta de melhor atriz por […]

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