Diretamente da Broadway: Peter and the Starcatcher

Peter and the Starcatcher acabou de estrear na Broadway, no dia 15 de Abril, e já tem feito muito barulho pelos tradicionais meios de comunicação do público de teatro ao vivo aqui em NY e agradado bastante os críticos. A produção é extremamente simples e genial. É a típica peça que se sustenta pelo talento do elenco e do creative team (direção e roteiro).

Na minha opinião de audience member, é sem dúvida a melhor peça da temporada (sei que posso soar um pouco exagerada, mas como alguém que assistiu quase todas as peças indicadas ao Drama Desk Awards, me dou o direito de dar essa opinião). Fora End of the Rainbow e Master Class, nenhuma outra peça chegou aos pés de Peter and the Starcatcher este ano. E admito que só de estar escrevendo este post para vocês já estou com a outra tab aberta para comprar ingressos para assistir a peça novamente.

Como o nome já indica, o enredo da peça é a história do Peter Pan antes de ir para a Terra do Nunca e se tornar o Peter Pan que conhecemos. De forma inteligente e cômica, conta toda a trajetória do personagem do momento em que ele era apenas um órfão sem nome até o momento em que ele se torna o famoso garoto que não quer crescer. Também nos é apresentada a história de seu famoso vilão, Capitão Gancho, como ele perde a mão, a relação prévia dos dois e como se tornam eternos inimigos.

Claro, se você também é familiarizado com o filme da Disney do Peter Pan, o enredo por si só já se torna bem interessante, pois vai respondendo várias curiosidades que formam a história tão mágica a qual estamos acostumados. Mas o que eu achei ainda mais interessante sobre a peça é a forma que encontraram para contar a história ao público: como se fosse um grupo de crianças brincando de teatro, ou seja, no elenco todos fazem mais de um papel e dão suporte a quem é o foco da cena, seja segurando o cenário ou fazendo efeitos sonoros. E por ter essa linguagem de brincadeira de crianças, os cenários e props são extremamente simples, em geral são utensílios que podemos achar em casa. Escolha de narrativa que merece destaque principalmente na cena das sereias, o efeito é excelente. 

Quanto ao elenco, este é um dos casos que só tenho elogios e temo não ter palavras suficientes para descrever o brilhantismo dos atores da peça. Era incrível perceber a sincronicidade do elenco como um ensemble (corpo de baile). Eu saí do teatro querendo fazer parte dele, pois com certeza foi um processo muito divertido de criação dos personagens e ensaios. Se fosse falar em nível empresarial, seria o time mais entrosado de uma organização. Já quanto aos lead actors, a peça contava com um trio bem conhecido: Celia Bolger Keenan, Adam Chanler Berat e Christian Borle.

Adam Chanler Berat era Peter Pan. O ator é mais conhecido por seu trabalho em Next To Normal e agora faz uma transição perfeita do drama que o tornou um nome no cenário musical para esta light comedy. É o personagem dele que mais sofre transformações e estas são extremamente visíveis para o público.

Celia Bolger Keenan é com certeza uma das atrizes mais fofas Broadway. É sério, talvez seja por ela parecer uma criancinha, mas eu gosto de acreditar que muito disso é pelo seu carisma, afinal, essa veterana dos palcos sempre consegue se destacar no meio de ensemble shows (como em 25th Putnam County Spelling Bee em 2006, Les Miserables em 2007 e Hair em 2009). Agora ela faz a personagem Molly (avó de Wendy quando criança), ela é a única mulher no elenco e não deixou a desejar na sua participação neste “Clube do Bolinha”.

Preciso dizer quem merece o maior destaque é o Capitão Gancho, papel de Christian Borle, sem dúvidas a estrela do show. Nessa peça o nome dele é Black Stache, por causa do bigode. O ator ficou conhecido na Broadway por fazer vários personagens em Spamalot (2005) e está atualmente na série televisiva Smash. Nos palcos, ele está simplesmente impagável. O personagem já é escrito de forma engraçadíssima, mas é a interpretação de Christian é o que faz com fique engraçado ao ponto de fazer o público chorar de rir. Em um determinado momento, quando Stache perde a mão, a interpretação é tão realista que você realmente se pergunta se o ator não se machucou de verdade (não se preocupem não tem sangue nem nada), mas aí você vê a entrega do ator e como ele te faz acompanha-lo a cada segundo de sua interpretação. Para mim, é a aposta para o Tony Award de melhor ator em uma peça e deixo registrado que se ele não ganhar, ficarei pessoalmente ofendida.

Outros dois atores maravilhosos que merecem grande consideração são Arnie Burton, a babá de Molly, Mrs. Bumbrake – juro que esquecia a toda hora que ele era um homem – e Kevin del Aguila, Smee, o braço direito e puxa-saco de Black Stache, esse não poderia ter um timing de comédia melhor.

Peter and the Starcatcher é para Peter Pan o que Wicked é para O Mágico de Oz, uma história que conta a origem de um clássico, deixando o público mais ciente quanto os personagens e suas motivações. Entretanto, apesar de alguns números musicais – e até uma chorus life – o show é considerado uma peça de teatro e não um musical. Para àqueles que pretendem assistir a peça, a linguagem é britânica e não é um texto fácil de ser compreendido, então, mesmo falando bem inglês corre-se o risco de perder algumas piadas.

Eu poderia escrever mais algumas boas horas sobre a peça e provavelmente citar as melhores frases. Mas deixarei que vocês confiram esta maravilhosa e divertidíssima comédia quando estiverem em NY! ;D

 
 
 
Fotos: broadway.com e NYtimes
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4 comentários

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