Crítica: Drive

Quem conhece a cinematografia do diretor do incrível A Invenção de Hugo Cabret, não demorará muito a notar as grandes semelhanças e a nítida inspiração de Martin Scorsese sobre o diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn. Assim como na obra de Scorsese, Drive não traz a violência vista em filmes como Alpha Dog, em que a sutileza é deixada de lado e a banalidade toma conta. Apesar de a sutileza também passar longe deste filme, seu roteiro, montagem e personagens formam um filme maior do que a violência por violência.

Ryan Gosling interpreta um dublê de ação de filmes hollywoodianos que além de fazer as loucuras pedidas por diretores de cinema, usa seu talento sobre quatro rodas para um trabalho extra: chofer de assaltantes. Com a condição de que não se envolva mais do que o combinado nos crimes, ele faz a sua parte, sem receio de abandonar seus “comparsas” caso algo dê errado. Fora isso, o personagem com um nome tão desconhecido quanto seu passado, tenta manter a normalidade trabalhando em uma oficina e ficando fora do foco de quem quer que seja. Pelo menos até encontrar a vizinha Irene (Carey Mulligan) e ficar completamente encantado pela moçoila. Um marido ex-presidiário (Oscar Isaac) em dívida entra em cena para revirar a história e transformar completamente o longa que apesar de não ser nada pacato até esse ponto, deixa essa impressão, tamanha a encrenca que “o motorista” se mete a apartir daí.

A influência de filmes como Taxi Driver é clara e está presente também na trilha sonora, composta por um estilo anos 70/80 (assim como posters e o letreiro do filme). Trilha essa algumas vezes até mesmo exagerada e destoante em relação à trama, enquanto a edição de som faz seu papel brilhantemente e juntamente com a atuação de Gosling coloca mais uma vez as premiações americanas em posição de questionamento. Cannes, porém, reconheceu o trabalho de Winding Refn e deu a ele o troféu de melhor diretor, o que rendeu para o rapaz inclusive um beijo na boca de seu protagonista.  

Além de entusiasta, Ryan Gosling é de fato uma das melhores coisas do longa. A dificuldade em interpretar sutilmente um personagem que diz muito sem emitir uma palavra passa despercebida nas mãos desse promissor ex-mosqueteiro do Clube do Mickey. Ele não pode contar nem mesmo com uma troca de roupa para ajudar nos contornos e viradas de seu personagem, a não ser pela simbólica jaqueta que ele usa da primeira a última cena no filme, antes muito limpa e no final já bem ensanguentada.

Vale a pena provar dessa trama e experimentar um bom desconforto dentro dos cinemas, apenas tente não comer nada antes do filme.

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