Crítica: Super 8

Desde 2010 escrevo críticas de cinema e teatro para o site Lérias & Lixos e a partir de agora compartilharei com vocês alguns de meus textos preferidos, começando por Super 8, filme de J. J. Abraams que acaba de chegar as locadoras:

Publicada em 14 de agosto de 2011

Dois meses depois dos americanos, agora o público brasileiro pode conferir o tão esperado resultado da parceria entre Steven Spielberg e J. J. Abrams. O diretor de Parque dos Dinossauros e Inteligência Artificial mais uma vez atua como produtor, enquanto o papel de escritor e diretor fica a cargo de Abrams, que apesar da sua pouca experiência cinematográfica (em seu currículo como diretor estão apenas Missão Impossível 3 e Star Trek), compensa com seus trabalhos na televisão americana – que incluem as bem sucedidas séries Lost, Alias e Fringe.

O título do longa remete à câmera Super 8, popularmente usada nos anos 70 e 80 por estudantes e amadores por seu fácil manuseio e boa qualidade. É com uma câmera dessas que um grupo de amigos decide filmar um thriller sobre zumbis, mas durante a filmagem de uma das cenas eles presenciam um enorme e misterioso acidente entre uma caminhonete e um trem, e quem acaba entrando em um grande suspense são eles. Joe, o responsável pela maquiagem e maquetes usadas no filme (e também protagonista da história), entra para a lista de garotos corajosos, doces e determinados das produções de Spielberg (juntando-se a Elliot de E.T. e Mike de Os Goonies). A relação de Joe com seus amigos e a novata no grupo, Alice (personagem da já crescida Elle Fanning), paixonite de Joe, traz em meio às cenas de ação momentos de descontração nas horas e medidas certas.

Apesar de a direção ser de J. J. Abrams, algumas características sempre vistas nos filmes de Spielberg estão presentes novamente, como o uso do contra plongée (enquadramento em que a câmera filma o objeto em cena de baixo para cima) em momentos de maior tensão, pouca câmera parada e o grande uso do chamado primeiro plano. Fora os aspectos técnicos, o enfoque em um grupo de crianças, mesmo não sendo um filme infantil, também não é novidade para os fãs de Spielberg. Super 8 segue a tradição ao apresentar crianças de atitude prestes a enfrentar uma grande aventura. Crianças essas sempre muito bem interpretadas por atores até então desconhecidos. J. J. Abrams também faz a sua parte provando ser um dos melhores diretores de sua geração, sem contar que mistérios e sustos é com ele mesmo.

Quem gosta dos filmes juvenis produzidos nos anos 80 vai se sentir realizado com a oportunidade de assistir a um lançamento tão próximo a esse estilo. A sala de cinema funciona como uma máquina no tempo e se os figurinos e cortes de cabelo não forem o suficiente, as sempre presentes e aliadas bicicletas estão lá, assim como os adultos como seres distantes e difíceis de compreender. Só não deixe os efeitos visuais atuais te trazerem de volta para 2011.

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