Judy is Back! Review de “End of the Rainbow”

Acredito que muitos de vocês que acompanham teatro musical brasileiro já estão a par da famosa peça de Peter Quilter sobre os últimos meses de vida da grande Judy Garland, End of The Rainbow.

O espetáculo estreou em Sydney em 2005 e depois de passar por Londres e algumas outras cidades, incluindo a atual produção brasileira no Rio de Janeiro, teve sua estréia na Broadway no dia 02 de abril. Obviamente, poucos dias depois eu já estava na plateia conferindo o tão falado espetáculo. Posso adiantar que foi uma das peças de teatro mais interessantes que assisti nos últimos anos.

A história se passa em Londres, na época em que Judy estava em final de carreira, fazendo um show de cinco semanas na cidade para sair das dívidas. Além da atriz, os outros dois personagens principais da peça são Mickey Deans, o jovem noivo, e Anthony, o fiel amigo e pianista.

A trama passa pelos melhores momentos da carreira de Judy Garland através das músicas para o show Talk Of The Town. Entretanto, o verdadeiro twist da história é a personalidade incontrolável de Judy, devido ao vício da atriz por drogas, álcool e cigarros, bem como sua a busca em ser amada como ela e não como o ícone que se tornou, fatos retratados de forma bem transparente no espetáculo.

O texto de End Of The Rainbow é para o público de 2012 assim como Master Class (história do final de carreira de Maria Callas) foi em 1995, ambos mostrando a mulher por trás dos nomes.

A peça é feita com muito humor, mesmo mostrando o lado negro e o que chamamos de ataque de nervos da queridinha da Golden Age.  É o tipo de texto que entregam ao público muitas daquelas citações hilárias. Postarei algumas das minhas favoritas quando liberarem o book.

Tracie Bennett merece todos os aplausos do mundo! O papel não é nem um pouco fácil. Além de ter que representar uma personagem completamente louca que mal para quieta, canta nas situações e posições mais bizarras (afinal, na cena está ou drogada ou bêbada), e passa por uma carga bipolar emocional absurda no decorrer do show. A atriz está representando THE Judy Garland. E todo o cuidado é pouco nessa hora, pois tratando-se de um ícone com muitos fãs, há uma grande possibilidade de ofender ao invés de agradar ao mostrar um lado não tão reconhecido da atriz.

Além das loucuras da personagem, Tracie também teve a perigosa responsabilidade de representar o lado de Judy Garland tão conhecido e amado pelo mundo inteiro: seu carisma, talento e a sua tão conhecida voz. É possível se convencer que você está ouvindo Judy Garland cantar, até mesmo quando sua voz já bastante rouca no final de carreira.

Michael Cumpsty como o paciente Anthony, pianista e fiel amigo de Judy, foi maravilhoso no papel. O personagem era o ponto de calma tanto para a protagonista quanto para o público, quando entrava no palco, todos sabiam que iria dar tudo certo.

Tom Pelphrey como Mickey foi tão convincente que eu fiquei com um pouco de raiva dele boa parte da peça, mas me dei conta que o problema era o personagem e não o ator.

Os três atores estão super bem juntos no palco, a direção é fantástica e o texto está com certeza na minha lista de favoritos… do I hear Tony Awards???

Yes!!!!

A peça termina com o trecho de uma entrevista para a BBC em que Judy foi questionada sobre a sua imortalidade, lincando para Over the Rainbow, a música que fez dela uma estrela. Este foi o fechamento perfeito para que a plateia se emocionassem e saísse do teatro não pensando na vida dramática da atriz, e sim na maravilhosa carreira e nos momentos que tornaram Judy Garland imortal.

Fotos: broadway.com e broadwayworld.com
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7 comentários

  1. [...] Ashford, Rent Angela Bassett, The Mountaintop Simon Russell Beale, Bluebird Tracie Bennett, End of the Rainbow Christian Borle, Peter and the Starcatcher Matthew Broderick, Nice Work If You Can Get It Kim [...]

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  3. [...] quase todas as peças indicadas ao Drama Desk Awards, me dou o direito de dar essa opinião). Fora End of the Rainbow e Master Class, nenhuma outra peça chegou aos pés de Peter and the Starcatcher este ano. E [...]

  4. [...] Melhor Atriz Principal em Peça Nina Arianda, Venus in Fur Tracie Bennett, End of the Rainbow Stockard Channing, Other Desert Cities Linda Lavin, The Lyons Cynthia [...]

  5. Moro no Rio de Janeiro e tive o prazer de ver a versão brasileira de Charles Moeller e Cláudio Botelho. Incrível!

  6. [...] quase todas as peças indicadas ao Drama Desk Awards, me dou o direito de dar essa opinião). Fora End of the Rainbow e Master Class, nenhuma outra peça chegou aos pés de Peter and the Starcatcher este ano. E [...]

  7. [...] Melhor Atriz Principal em Peça Nina Arianda, Venus in Fur Tracie Bennett, End of the Rainbow Stockard Channing, Other Desert Cities Linda Lavin, The Lyons Cynthia [...]

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